“A vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida.” Essas são as sábias palavras de um poeta apaixonado, o nosso centenário Vinícius de Moraes. Devo admitir que concordo com a expressão e digo mais.

Cada pessoa, dentro de sua história pessoal, sabe dos encontros e desencontros que se dão em seu caminho e cada encontro é marcado por expectativas que podem, ou não, virem a ser satisfeitas. Sabemos que toda relação é uma via de mão dupla, portanto, se as pessoas envolvidas estiverem alinhadas nos mesmos propósitos, grande é a chance do encontro ser bem sucedido. Agora, se forem para lados diferentes no maior estilo “os opostos se atraem”, tenho minhas dúvidas a respeito da duração dessa atração.

Você sabe o que deseja?

Creio que para sentir a legitimidade do encontro, algumas considerações são indispensáveis. Para começar, há que se fazer algumas perguntas: “o que eu quero para mim? Que tipo de relação eu desejo construir? Que qualidades, valores, princípios deve ter a pessoa com quem desejo me relacionar? Você sabe o que deseja? A importância destes questionamentos é fundamental, pois uma vez que você identifica o que deseja em um relacionamento, torna-se capaz de filtrar e escolher uma relação mais próxima do saudável para você. Mas caso não saiba identificar o que quer, fica muito mais fácil encontrar-se numa posição vulnerável e ocupando o posto de quem é escolhido (a) ao invés de escolher. Quando não sabemos o que queremos, qualquer coisa serve. Esse não deveria ser o pensamento, mas é o que muitas vezes acontece.

Ficar em um relacionamento em que o outro precisa fazer um grande esforço para permanecer ao seu lado é como tirar leite de pedra, não vale a pena a insistência. Por isso retomo a pergunta: “o que você quer? O que você deseja?” Chega um momento em que despertamos para algumas verdades e somos mais capazes de perceber que a escolha nunca é do outro, a escolha é sempre nossa. A responsabilidade da sua vida está sempre nas suas mãos, portanto não pendure a sua conta na caderneta de ninguém.  Se escolheu ficar em um determinado lugar, independente do motivo que o (a) levou a fazê-lo (especialmente se esse motivo envolve outra pessoa), lembre-se: sujeito nenhum tem poder suficiente para decidir por você que caminhos tomar. A resposta final será sempre sua.

Você sabe o que deseja?

Quanto mais conscientes estamos, mais livres nos tornamos. Estar consciente te conduz a um caminho de libertação, no qual você não se vê condenado ou fadado a permanecer onde não quer. É claro que essa conquista não nos isenta dos dissabores, dos desencontros que porventura se darão em nossas vidas, mas nos prepara para melhor encará-los quando aparecerem. Leve sempre esta verdade com você: a sua história é você quem faz.

Psicóloga Clínica, eterna aprendiz e colaboradora do Zona De Desconforto. Acredita que uma vida bem vivida está mais de acordo com aquilo que se é do que com aquilo que se tem. Não dispensa um abraço apertado e um cafuné demorado. Sabe que viver é tarefa pra quem está disposto.
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